“Provavelmente ela irá sorrir
para mim, e dizer
com seu aparelho chamativo,
que não é bem assim.
O peso de sua consciência mórbida,
deflagra uma situação ruim.
Eu quero ver aquele lindo
aparelho enroscado
em minha carne venérea vermelha.
Minha intuição escapa
em raposa violeta para
longe do tumulto.
Eu arrasto minhas retinas
nas paredes chapiscadas
e remendadas do muro
do hospício.
dum, dum dum dum dum dum, dum
dum, dum dum dum dum dum, dum
dum, dum dum ...”
“Farei poemas com o grito dos desesperados, troçarei com a cara suja do soneto de amor, imaginarei formas não lineares de forças caladas cativadas nos destroços de minha alma.” – De mim para mim –
sexta-feira, 30 de julho de 2010
“Deitado na cama pensando, ouço o som do gotejar da bica mal fechada.
Se é na cozinha, não sei.
Queria chorar,
mas não consigo.
Queria desaguar lágrimas e lágrimas, num rio de sofrimento, de meus olhos ao colchão da cama.
Mas não consigo.
Esta minha dor que dói, é dor de qualquer outro, em outro lugar qualquer que não conheço.
Queria evitar,
mas não consigo.
Odiar a todos e viver de escrever o que tenho no bálsamo de meu âmago.
Mas não consigo.
Não consigo evitar essa besteira que bate a minha porta, e diz que ainda há vida, e que só sorrisos e lágrimas, nos esperam lá fora.”
Se é na cozinha, não sei.
Queria chorar,
mas não consigo.
Queria desaguar lágrimas e lágrimas, num rio de sofrimento, de meus olhos ao colchão da cama.
Mas não consigo.
Esta minha dor que dói, é dor de qualquer outro, em outro lugar qualquer que não conheço.
Queria evitar,
mas não consigo.
Odiar a todos e viver de escrever o que tenho no bálsamo de meu âmago.
Mas não consigo.
Não consigo evitar essa besteira que bate a minha porta, e diz que ainda há vida, e que só sorrisos e lágrimas, nos esperam lá fora.”
“Ela bagunça e se lambuza com meu leite secreto, arfando a boca, olhando os olhos, pedindo por mais.
Eu nunca mandei flores.
As respostas de minhas perguntas vagam por aí.
Te elevo ao patamar intransigente de meus secretos desejos.
Abençôo teu olhar nesta dura selva de apartamentos, com os versos afásicos do meu dia-a-dia.
Perambulo meus olhos até a nuca dos rostos que não vejo passar.
Essa vida louca de cidade, procurando o que não perdi, procurando seus olhos na dura paisagem de
carros e ônibus. De meninos e meninas decompondo-se em pequenas pedras de crack.”
Eu nunca mandei flores.
As respostas de minhas perguntas vagam por aí.
Te elevo ao patamar intransigente de meus secretos desejos.
Abençôo teu olhar nesta dura selva de apartamentos, com os versos afásicos do meu dia-a-dia.
Perambulo meus olhos até a nuca dos rostos que não vejo passar.
Essa vida louca de cidade, procurando o que não perdi, procurando seus olhos na dura paisagem de
carros e ônibus. De meninos e meninas decompondo-se em pequenas pedras de crack.”
“Foi quase anteontem
que nos conhecemos.
Hoje,
sentado na cozinha,
revejo teu corpo esnobe
de menina doce.
No remelexo de sua tenra idade.
Ah, menina! Se tu soubesse!
O quanto meus olhos
ainda pedem por mais.
Nestes meus atrasos
que não consigo explicar.
Mas a vida é assim, não é?
Cheio de reviravoltas,
no intervalo brusco
das propagandas.
Somos dois delinqüentes
no cubo fechado da razão.
Eu respiro seu ar,
sem o menor convencimento.
E te digo, sussurrando:
(Bem que criei para ti, uma utopia, bem lá, no fim do infinito, onde todos os sonhos desabrocham)”
que nos conhecemos.
Hoje,
sentado na cozinha,
revejo teu corpo esnobe
de menina doce.
No remelexo de sua tenra idade.
Ah, menina! Se tu soubesse!
O quanto meus olhos
ainda pedem por mais.
Nestes meus atrasos
que não consigo explicar.
Mas a vida é assim, não é?
Cheio de reviravoltas,
no intervalo brusco
das propagandas.
Somos dois delinqüentes
no cubo fechado da razão.
Eu respiro seu ar,
sem o menor convencimento.
E te digo, sussurrando:
(Bem que criei para ti, uma utopia, bem lá, no fim do infinito, onde todos os sonhos desabrocham)”
“Naquela manhã chorei.
um choro sozinho de
lágrimas ralas,
chorei sentado na cama.
chorei numa manhã
desbotada, esquecida e
vazia de inverno.
num dos momentos
mais levianos.
chorei sozinho uma
lágrima apagada,
sozinha e esquecida
em meu rosto.
chorei apenas
por chorar,
sem poder
fazer nada
que me impedisse.
chorei.
não sei porque,
nem para quem.
chorei bem antes do café da manhã.
antes da partida consumada,
que inicia a rotina de todos os dias.”
um choro sozinho de
lágrimas ralas,
chorei sentado na cama.
chorei numa manhã
desbotada, esquecida e
vazia de inverno.
num dos momentos
mais levianos.
chorei sozinho uma
lágrima apagada,
sozinha e esquecida
em meu rosto.
chorei apenas
por chorar,
sem poder
fazer nada
que me impedisse.
chorei.
não sei porque,
nem para quem.
chorei bem antes do café da manhã.
antes da partida consumada,
que inicia a rotina de todos os dias.”
“Estou vivo, com a intempérie do tempo procurando minha cabeça.
Soluço um ar chamuscado.
Penso nas mais inalcançáveis vitórias, de formigas contra os deuses.
E como me importo.
Me importo com os países menores que meu bairro.
Com o fogo eloqüente dentro das cabanas, dos meninos e meninas traficantes da morte de Angola.
Do titilar das chaves na mão do rapaz em convulsão.
Eu faço sexo com as estrelas de-cadentes.
E desço do palco ladrilhado da sociedade, para dentro dos tumultos de minha loucura
só minha.”
Soluço um ar chamuscado.
Penso nas mais inalcançáveis vitórias, de formigas contra os deuses.
E como me importo.
Me importo com os países menores que meu bairro.
Com o fogo eloqüente dentro das cabanas, dos meninos e meninas traficantes da morte de Angola.
Do titilar das chaves na mão do rapaz em convulsão.
Eu faço sexo com as estrelas de-cadentes.
E desço do palco ladrilhado da sociedade, para dentro dos tumultos de minha loucura
só minha.”
“Já faz tempo que aqui não me aparece.
Só sinto o cheiro bom de seus cabelos que ecoa dos pequenos redemoinhos de pétalas.
É a natureza em festa.
O estampido sussurrante dos beija-flores que pairam no ar.
Das libélulas procurando por anjos.
Do universo que se esgueira nos olhos da onça.
Ela tem a face morena dos dias mais felizes do verão.
O bronzeado adocicado das praias desertas.
O olhar ingênuo e malévolo dos seres que habitam outras dimensões.
Talvez seja eu, com esta vontade desnaturada de sentir tranqüilidade. De buscar aquilo que quer se manter escondido.
Se ouço sua voz, logo, me bate o desejo de andar de ônibus por aí.
Sem destino.”
Só sinto o cheiro bom de seus cabelos que ecoa dos pequenos redemoinhos de pétalas.
É a natureza em festa.
O estampido sussurrante dos beija-flores que pairam no ar.
Das libélulas procurando por anjos.
Do universo que se esgueira nos olhos da onça.
Ela tem a face morena dos dias mais felizes do verão.
O bronzeado adocicado das praias desertas.
O olhar ingênuo e malévolo dos seres que habitam outras dimensões.
Talvez seja eu, com esta vontade desnaturada de sentir tranqüilidade. De buscar aquilo que quer se manter escondido.
Se ouço sua voz, logo, me bate o desejo de andar de ônibus por aí.
Sem destino.”
“Alguém grita – AMOR – sufocado nos quarteirões da violência.
Grita a mãe, pelo menino que caiu metralhado, a dois passos da padaria. Grita – AMOR – pois não o verá novamente.
Alguém sussurra – A...M...O...R... –devagar, e ajeita o cabelo dela quase todas as manhãs. Ela se espreguiça, abre os olhos, sorri, e volta a dormir, com meus olhos pedindo por mais.
Amo, vagarosamente, cada parte do corpo dela, cada gesto desmazelado e incorruptível, dos manejos e sobremanejos dela.
Em cada afago, se encontra uma resposta em meus sentidos. Respondo com um sorriso discreto, a alegria que quase explode meu coração.
Eu sou assim.
Num momento estou puto com a galera da esquina, noutro, eu abraço incondicionalmente as trincheiras do bar.
Eu amo e desamo na velocidade de meus sentimentos.
Eu sei que sou um tolo, dizendo essas coisas de uma só vez. Falo pouco sobre esta palavra intempestiva, imanente, que sai de repente, e agita a corrente sangüínea de nossas emoções.”
Grita a mãe, pelo menino que caiu metralhado, a dois passos da padaria. Grita – AMOR – pois não o verá novamente.
Alguém sussurra – A...M...O...R... –devagar, e ajeita o cabelo dela quase todas as manhãs. Ela se espreguiça, abre os olhos, sorri, e volta a dormir, com meus olhos pedindo por mais.
Amo, vagarosamente, cada parte do corpo dela, cada gesto desmazelado e incorruptível, dos manejos e sobremanejos dela.
Em cada afago, se encontra uma resposta em meus sentidos. Respondo com um sorriso discreto, a alegria que quase explode meu coração.
Eu sou assim.
Num momento estou puto com a galera da esquina, noutro, eu abraço incondicionalmente as trincheiras do bar.
Eu amo e desamo na velocidade de meus sentimentos.
Eu sei que sou um tolo, dizendo essas coisas de uma só vez. Falo pouco sobre esta palavra intempestiva, imanente, que sai de repente, e agita a corrente sangüínea de nossas emoções.”
“Amo, como o vendedor de frutas, gritando alto na necessidade da fome.
como o rejunte na parede, imortalizado pelo lodo companheiro que flora.
como as sílabas confusas, indecisas, na má grafia do semi-analfabeto de 70 anos.
como sua boca proeminente de aparelho azul claro, que produz um sorriso singular.
como a flor corajosa que perfuma, esquecida num canteiro de obras.
Amo, com aquela necessidade profunda que exala do peito e nos diz que estamos na vida.”
como o rejunte na parede, imortalizado pelo lodo companheiro que flora.
como as sílabas confusas, indecisas, na má grafia do semi-analfabeto de 70 anos.
como sua boca proeminente de aparelho azul claro, que produz um sorriso singular.
como a flor corajosa que perfuma, esquecida num canteiro de obras.
Amo, com aquela necessidade profunda que exala do peito e nos diz que estamos na vida.”
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