sexta-feira, 30 de julho de 2010

“Alguém grita – AMOR – sufocado nos quarteirões da violência.
Grita a mãe, pelo menino que caiu metralhado, a dois passos da padaria. Grita – AMOR – pois não o verá novamente.
Alguém sussurra – A...M...O...R... –devagar, e ajeita o cabelo dela quase todas as manhãs. Ela se espreguiça, abre os olhos, sorri, e volta a dormir, com meus olhos pedindo por mais.
Amo, vagarosamente, cada parte do corpo dela, cada gesto desmazelado e incorruptível, dos manejos e sobremanejos dela.
Em cada afago, se encontra uma resposta em meus sentidos. Respondo com um sorriso discreto, a alegria que quase explode meu coração.
Eu sou assim.
Num momento estou puto com a galera da esquina, noutro, eu abraço incondicionalmente as trincheiras do bar.
Eu amo e desamo na velocidade de meus sentimentos.
Eu sei que sou um tolo, dizendo essas coisas de uma só vez. Falo pouco sobre esta palavra intempestiva, imanente, que sai de repente, e agita a corrente sangüínea de nossas emoções.”

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